Harry Potter: Lord Voldemort não era tão mau


Lord Voldemort é um dos personagens mais odiados e temidos da saga Harry Potter, escrita por J.K. Rowling. Ele é o principal antagonista da história, um bruxo das trevas que busca a dominação do mundo mágico e a eliminação dos nascidos trouxas (bruxos de origem não-mágica). Ele é responsável por inúmeros crimes e atrocidades, como o assassinato dos pais de Harry Potter, a criação de Horcruxes (objetos que contêm partes de sua alma e garantem sua imortalidade), a formação dos Comensais da Morte (seus seguidores fanáticos) e a instauração de um regime de terror e opressão.

No entanto, será que Lord Voldemort era realmente tão mal assim? Será que ele não tinha nenhuma qualidade positiva ou motivo compreensível para suas ações? Será que ele não merecia nenhuma compaixão ou redenção? Neste artigo, vamos tentar explorar alguns aspectos da personalidade e da história de Lord Voldemort que podem nos levar a questionar a sua vilania absoluta e a ver o personagem sob uma nova perspectiva.

A infância traumática de Tom Riddle

Lord Voldemort nasceu como Tom Marvolo Riddle, filho de um trouxa rico chamado Tom Riddle e de uma bruxa chamada Mérope Gaunt, descendente direta de Salazar Slytherin, um dos fundadores de Hogwarts. Sua mãe era uma bruxa fraca e submissa, que vivia sob o domínio de seu pai e de seu irmão, ambos fanáticos pela pureza de sangue e pelo legado de Slytherin. Ela se apaixonou pelo trouxa Tom Riddle e o enfeitiçou com uma poção do amor, fazendo-o se casar com ela e fugir de sua família. No entanto, quando ela engravidou, ela decidiu parar de dar a poção ao marido, esperando que ele a amasse de verdade. Mas ele não a amava, e quando descobriu a verdade, ele a abandonou e voltou para sua antiga vida, rejeitando tanto ela quanto o filho que ela esperava.

Mérope ficou tão desesperada e deprimida que perdeu a vontade de viver. Ela deu à luz Tom Riddle em um orfanato trouxa em Londres, e morreu logo depois, deixando o bebê sozinho no mundo. Tom Riddle cresceu no orfanato, sem saber nada sobre sua origem ou sua natureza mágica. Ele era um menino solitário, inteligente e curioso, mas também arrogante, manipulador e cruel. Ele descobriu que podia fazer coisas estranhas acontecerem com sua mente, e usava seus poderes para assustar e machucar os outros órfãos, especialmente os que o provocavam ou o desafiavam. Ele também desenvolveu uma obsessão por objetos antigos e valiosos, que ele roubava e escondia em uma caixa secreta. Ele não tinha amigos, nem família, nem amor. Ele só tinha a si mesmo.

Quando ele tinha onze anos, ele recebeu a visita de Alvo Dumbledore, o professor de Transfiguração de Hogwarts na época. Dumbledore revelou a Tom Riddle que ele era um bruxo, e que estava convidado a estudar na escola de magia. Tom Riddle ficou fascinado e empolgado com a notícia, e viu na magia uma forma de escapar de sua vida miserável e de se tornar alguém poderoso e importante. Ele também perguntou a Dumbledore sobre seu pai, imaginando que ele fosse um grande bruxo, mas Dumbledore lhe disse que seu pai era um trouxa, e que sua mãe era a bruxa da família. Tom Riddle ficou furioso e envergonhado, e passou a odiar seu pai por tê-lo abandonado, e sua mãe por ter morrido. Ele também passou a desprezar os trouxas e os nascidos trouxas, e a se orgulhar de sua herança de Slytherin.

Tom Riddle foi para Hogwarts, e foi selecionado para a casa Sonserina, como era de se esperar. Ele se tornou um aluno brilhante, popular e carismático, mas também ambicioso, dissimulado e vingativo. Ele fez vários amigos entre os sonserinos, mas também tinha seus inimigos entre as outras casas, especialmente os grifinórios. Ele era admirado e respeitado por muitos professores, mas também temido e desconfiado por alguns, como Dumbledore, que nunca se deixou enganar por sua fachada. Ele se interessou pelos aspectos mais sombrios e perigosos da magia, como as Artes das Trevas, a Câmara Secreta, as Horcruxes e a imortalidade. Ele também mudou seu nome, rejeitando o legado de seu pai trouxa, e se tornando Lord Voldemort, um anagrama de Tom Marvolo Riddle em inglês.

A infância traumática de Tom Riddle pode explicar, em parte, porque ele se tornou um bruxo das trevas. Ele nunca conheceu o amor, a bondade, a confiança, a lealdade, a amizade, a família. Ele só conheceu a dor, a solidão, a rejeição, a raiva, o medo, a vingança. Ele cresceu em um ambiente hostil, onde teve que se defender e se impor. Ele desenvolveu uma personalidade narcisista, egocêntrica, megalomaníaca, paranóica e sociopata. Ele não se importava com ninguém além de si mesmo, e não tinha escrúpulos em usar, manipular, torturar e matar quem se opusesse a seus planos. Ele não tinha nenhum senso de moral, de justiça, de compaixão, de arrependimento. Ele só tinha sede de poder, de glória, de domínio.

Isso não significa que ele não fosse responsável por suas escolhas e por suas ações. Ele tinha livre-arbítrio, e poderia ter seguido um caminho diferente, se quisesse. Ele poderia ter superado seu passado, e se tornado uma pessoa melhor. Ele poderia ter usado sua inteligência, seu talento, sua criatividade, sua liderança, para o bem, e não para o mal. Ele poderia ter aprendido a amar, e a ser amado. Mas ele não quis. Ele escolheu o mal, e se tornou o mal. Ele se tornou Lord Voldemort.

A genialidade mágica de Lord Voldemort

Lord Voldemort era um bruxo das trevas, mas também era um bruxo genial. Ele era um dos mais poderosos e habilidosos bruxos de todos os tempos, capaz de realizar feitos mágicos extraordinários e impressionantes. Ele dominava diversas áreas da magia, como Transfiguração, Feitiços, Defesa Contra as Artes das Trevas, Poções, Herbologia, Adivinhação, Runas Antigas, Estudo dos Antigos, entre outras. Ele também era um mestre em Occlumência, Legilimência, Língua de Cobra e Voo. Ele era capaz de conjurar um Patrono, um Animago, um Transfigurado, um Desilusório, um Imperius, um Cruciatus, um Avada Kedavra, e muitos outros feitiços poderosos e complexos. Ele era capaz de criar e destruir Horcruxes, objetos que continham partes de sua alma e que lhe garantiam a imortalidade. Ele era capaz de enfrentar vários bruxos ao mesmo tempo, e de duelar com os mais fortes e experientes, como Dumbledore, McGonagall, Snape, Moody, Flitwick, e até mesmo Harry Potter.

Lord Voldemort era um bruxo que buscava constantemente expandir seus conhecimentos e suas habilidades mágicas, explorando os limites e as possibilidades da magia. Ele era um bruxo que não se contentava com o que já sabia, e que sempre queria saber mais, aprender mais, descobrir mais. Ele era um bruxo que não tinha medo de experimentar coisas novas, arriscadas, proibidas, perigosas. Ele era um bruxo que desafiava as leis da natureza, da magia, da vida e da morte. Ele era um bruxo que queria ser o melhor, o mais forte, o mais sábio, o mais temido, o mais respeitado, o mais adorado. Ele era um bruxo que queria ser o senhor de tudo e de todos.

Lord Voldemort era um bruxo que usava sua genialidade mágica para o mal, e não para o bem. Ele usava sua magia para oprimir, para destruir, para matar, para dominar. Ele usava sua magia para criar um mundo à sua imagem e semelhança, um mundo onde só ele mandava, e onde todos os outros eram seus servos ou seus inimigos. Ele usava sua magia para se tornar imortal, e para eliminar qualquer um que pudesse ameaçar sua existência. Ele usava sua magia para se tornar um deus, e para negar a todos os outros o direito de serem livres.

Isso não significa que ele não fosse um bruxo admirável, em termos de capacidade e talento. Ele era um bruxo que merecia reconhecimento, respeito, admiração, por sua genialidade mágica. Ele era um bruxo que poderia ter sido um grande mestre, um grande líder, um grande herói, se tivesse usado sua magia para o bem, e não para o mal. Ele era um bruxo que poderia ter contribuído para o avanço e o enriquecimento da magia, e não para o seu retrocesso e empobrecimento. Ele era um bruxo que poderia ter feito a diferença, e não a desgraça. Mas ele não quis. Ele escolheu o mal, e se tornou o mal. Ele se tornou Lord Voldemort.

A busca pela imortalidade de Lord Voldemort

Lord Voldemort era um bruxo que tinha um medo profundo e irracional da morte. Ele considerava a morte como a pior coisa que poderia acontecer a alguém, como a maior fraqueza, como a maior derrota. Ele não aceitava a morte como parte natural e inevitável da vida, como um destino comum a todos os seres vivos, como uma transição para um outro plano de existência. Ele via a morte como um inimigo a ser combatido, como um obstáculo a ser superado, como um mistério a ser desvendado. Ele queria vencer a morte, e se tornar imortal.

Para isso, ele recorreu a um dos mais obscuros e terríveis segredos da magia: as Horcruxes. As Horcruxes são objetos que contêm partes da alma de um bruxo, que são separadas do corpo através de um ato de assassinato. Ao criar uma Horcrux, o bruxo se torna imune à morte, pois mesmo que seu corpo seja destruído, sua alma permanece presa no objeto, e pode ser restaurada em um novo corpo. No entanto, ao criar uma Horcrux, o bruxo também se torna menos humano, pois sua alma se fragmenta e se corrompe, perdendo sua integridade e sua essência.

Lord Voldemort foi o único bruxo da história a criar mais de uma Horcrux, e a dividir sua alma em sete partes. Ele escolheu objetos que tinham algum significado ou valor para ele, como a taça de Helga Lufa-Lufa, o medalhão de Salazar Slytherin, o diadema de Rowena Corvinal, o anel de Marvolo Gaunt, o diário de Tom Riddle, a cobra Nagini, e, sem querer, Harry Potter. Ele escondeu suas Horcruxes em lugares secretos e protegidos por poderosas defesas mágicas, e confiou seu paradeiro apenas a alguns de seus Comensais da Morte mais fiéis. Ele acreditava que, com suas Horcruxes, ele seria invencível, e que ninguém jamais descobriria seu segredo, ou seria capaz de destruí-las.

Lord Voldemort estava enganado. Sua busca pela imortalidade foi a sua ruína. Ele não percebeu que, ao criar Horcruxes, ele se tornava cada vez mais fraco, mais vulnerável, mais dependente. Ele não percebeu que, ao dividir sua alma, ele perdia sua humanidade, sua identidade, sua personalidade. Ele não percebeu que, ao fugir da morte, ele também fugia da vida, e de tudo o que ela tem de bom, de belo, de verdadeiro. Ele não percebeu que, ao se tornar imortal, ele também se tornava infeliz, solitário, vazio, incompleto.

Lord Voldemort também não percebeu que ele não era o único a saber das Horcruxes, e que havia alguém que estava disposto a enfrentá-lo, e a destruí-las: Harry Potter. Harry Potter, o menino que sobreviveu, o menino que carregava uma parte da alma de Voldemort, o menino que era a profecia, o menino que era o escolhido. Harry Potter, que tinha tudo o que Voldemort não tinha: amor, amizade, família, coragem, esperança, fé. Harry Potter, que não tinha medo da morte, e que estava disposto a se sacrificar por um bem maior. Harry Potter, que conseguiu encontrar e destruir todas as Horcruxes de Voldemort, com a ajuda de seus amigos, de Dumbledore, e de outros bruxos que lutavam contra o mal. Harry Potter, que enfrentou Voldemort em um duelo final, e que saiu vitorioso, graças à sua lealdade, à sua inteligência, e à sua bondade.

Lord Voldemort era um bruxo que queria ser imortal, mas que acabou sendo mortal. Ele morreu, e sua morte foi definitiva, sem volta, sem chance. Ele morreu, e sua morte foi solitária, sem testemunhas, sem honra. Ele morreu, e sua morte foi triste, sem sentido, sem glória. Ele morreu, e sua morte foi o fim de sua história, de seu legado, de sua memória. Ele morreu, e sua morte foi o triunfo da vida, da luz, da esperança. Ele morreu, e sua morte foi o começo de uma nova era, de uma nova paz, de uma nova felicidade. Ele morreu, e sua morte foi o seu destino.

Lord Voldemort era um bruxo das trevas, mas também era um bruxo genial. Ele era um bruxo que tinha uma infância traumática, mas também uma busca pela imortalidade. Ele era um bruxo que tinha muitos defeitos, mas também algumas qualidades. Ele era um bruxo que era odiado e temido, mas também admirado e respeitado. Ele era um bruxo que era o mal, mas também era o desafio.

Neste artigo, tentamos mostrar alguns aspectos da personalidade e da história de Lord Voldemort que podem nos levar a questionar a sua vilania absoluta e a ver o personagem sob uma nova perspectiva. Não pretendemos, com isso, justificar ou minimizar seus crimes e atrocidades, nem defender ou elogiar suas ideias e ações. Apenas queremos, com isso, compreender melhor suas motivações e emoções, e reconhecer sua complexidade e sua humanidade. Afinal, como disse Dumbledore, "não existe o bem e o mal, só existe o poder, e aqueles que são fracos demais para buscá-lo". E Lord Voldemort, certamente, não era fraco. Ele era forte, muito forte. Mas ele usou sua força para o mal, e não para o bem. E isso fez toda a diferença.

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