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Harry Potter: Razões que fazem esta saga tão boa


A capacidade de escrita de J.K. Rowling é astronómica: o seu poder de descrição, de nos transportar para um novo mundo, de nos envolver com as personagens e de construir momentos tão credíveis e de passar mensagens tão poderosas, que ainda hoje estão na nossa memória.

Uma característica presente na saga é a sua evolução na escrita: a Pedra Filosofal começa por ser algo bastante simples e leve, evoluindo até as Relíquias da morte, uma narrativa muito mais adulta e complexa. Os temas também evoluem: apesar da temática começar bastante sombria, com uma criança orfã e o tema da morte bastante presente logo de início (potencialmente influenciado pela própria morte da mãe da escritora enquanto esta escrevia os livros), fica progressivamente mais sombrio com o regresso do Quem-Nós-Sabemos ao poder, a introdução das Horcruxes, o aumento exponencial do número de mortes…

Reparemos que o primeiro livro saiu em 1997 e o último livro em 2007. O que não foi bem o meu caso, já que em 1997 eu tinha apenas 1 ano e mal sabia falar, quem dirá ler. Mas um leitor que tenha acompanhado a história logo desde o início foi crescendo bastante ao longo do lançamento da série. E os livros tiveram de acompanhar esse crescimento mental dos leitores. E, felizmente, eles acompanharam!

Harry Potter pode ser, por vezes, demasiado trágico para uma criança – a história de um jovem cujos pais foram assassinados quando ele tinha apenas 1 ano de idade; deixado ao cuidado de uma família abusiva; perseguido por desgraças. Mas, no final de contas, lidar com a morte e com as perdas de quem nos é querido é algo com que temos de lidar ao longo da vida e essa é uma mensagem importante a passar às crianças, que, apesar de tudo o que nos pode acontecer de mau, há vida para além disso e é possível ser feliz. O Harry perdeu os seus pais cedo, mas rodeou-se de amigos maravilhosos, de grandes figuras a seguir, e acabou por encontrar uma família que lhe deu o apoio e o carinho de que precisava. E continuou a sofrer, a perder pessoas ao longo da história, mas tudo fez parte do processo de crescimento e de maturidade, de se tornar um adulto.

Cada morte em Harry Potter foi maravilhosamente bem escrita. O Harry sente e nós também sentimos, também ficamos tristes a ver aquelas personagens a morrer. Com a morte de Sirius, o Harry sentiu raiva. Com a morte de Dumbledore, ele entrou em completa negação. E sentimos inúmeras outras, sofremos com elas.

A morte de tantas personagens importantes é de fato difícil de se lidar, mas é necessária para a evolução do Harry e dá realismo à história. A morte existe e temos de lidar com ela, por mais depressiva que possa ser.

Com personagens como Hermione e Dumbledore, a autora mostra-nos que o poder vem do conhecimento e não da força.

No sexlo livro quando Harry começou a ter lições privadas com Dumbledore para conseguir derrotar Voldemort este não procura ensinar-lhe os mais sofisticados encantamentos. Incita-o sim a saber mais do passado de Tom Riddle de forma a perceber quais as suas fraquezas: e acaba realmente a confirmar a sua teoria sobre as Horcruxes. E no final, foi esse conhecimento que permitiu que Harry e os seus amigos eliminassem de vez o Senhor das Trevas.

Foi também as inúmeras leituras de Hermione que o ajudou ao longo dos sete livros a ultrapassar os vários obstáculos: descobrir que o monstro da Câmara Secreta era um Basilisco, o que eram as Relíquias da Morte, e como destruir Horcruxes…

Conhecimento é poder!

Sacrifícios são para um bem maior em Harry Potter, e são inúmeras as personagens que se sacrificam por outras: a armada de Dumbledore luta por um futuro melhor; o Harry, Ron e Hermione desistem de uma vida comum, da escola, para ir atrás das Horcruxes de forma a derrotar Voldemort; e o último sacrifício de Harry no último livro, o maior de todos: o de realmente enfrentar a morte.

O amor. O quão vital é nesta história. O amor nas suas múltiplas formas: amizade, família,… Entre Harry, os Weasley, a Ordem, a Armada… O amor de mãe, de Lily Potter, tão vital para a história e que é uma das chaves para que Harry se salve no final; o amor de Severus Snape por Lily Potter que o faz tornar-se um duplo agente para Dumbledore para vingar a morte dela. O amor incondicional é uma constante nos livros de Harry Potter.

Harry Potter faz-nos refletir sobre o nosso mundo e, fora os feitiços e os dragões e toda a magia por volta da história, é possível fazer um paralelismo entre a guerra do mundo mágico e a nossa 2ª guerra mundial: o clima que se vivia, o racismo… Esse género de coisas foram vividas no nosso mundo. E esse é de facto o papel da fantasia, de nos fazer refletir sobre o que já aconteceu no mundo através de um universo paralelo, abstrato.

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