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Entenda o boicote à criadora de "Harry Potter" e suas obras


Após 23 anos, sete livros e oito filmes, Harry Potter é uma das sagas mais famosas (e amadas) do mundo. Além do bruxo e suas aventuras, a trama também aborda injustiças e preconceitos  conquistando milhões de admiradores de todas as idades. Entretanto, a própria criadora desse universo, a inglesa J.K Rowling, está sendo criticada há tempos por fazer declarações consideradas transfóbicas, que é a discriminação contra pessoas transexuais. 

Tudo começou em dezembro de 2019, quando Rowling defendeu a pesquisadora de 45 anos Maya Forstater, que foi demitida após publicar no Twitter sua oposição a uma proposta do governo britânico de facilitar legalmente a mudança de sexo para pessoas transgêneras. “Vista-se como quiser. Chame a si mesmo do que quiser. Durma com qualquer adulto. Viva sua melhor vida em paz e segurança. Mas forçar as mulheres a deixarem seus empregos por terem afirmado que o sexo [biológico] é real? #EuApoioMaya”, escreveu a autora na época.

A publicação pegou tão mal que até Daniel Radcliffe, que interpretou o bruxinho Harry nos filmes, entrou na discussão para discordar de J. K.. "Mulheres trans são mulheres", afirmou o ator. Ele ainda aproveitou para dar um recado aos fãs: “A todos aqueles que agora sentem que sua experiência com os livros foi manchada ou diminuída, sinto profundamente pela dor que esses comentários causaram“, disse.

Mas J.K não parou por aí. Em julho deste ano, ela dividiu opiniões depois de falar sobre um artigo opinativo que usava o termo "pessoas que menstruam". Rowling tuitou, em tom de piada, que já existia uma palavra para esse grupo: mulheres. Porém, existem homens trans que escolheram não passar ou ainda não passaram por tratamento hormonal e que, por isso, ainda sangram. Ao se justificar, ela publicou: "Eu respeito o direito de toda pessoa trans a viver de qualquer maneira que pareça autêntica e confortável para ela. Eu marcharia com você se você fosse discriminado por ser trans. Ao mesmo tempo, minha vida foi moldada por ser mulher. Não acredito que seja odioso dizer isso".

Em setembro, a autora se envolveu em outra polêmica com a comunidade trans ao lançar o livro Troubled Blood, escrito sob o pseudônimo Robert Galbraith, que fala sobre um assassino em série que se veste de mulher para matar mulheres cis. O jornal britânico The Telegraph apontou que a moral da história parecia se resumir em "nunca confie num homem de vestido”. Para piorar, o verdadeiro Robert Galbraith (1915 - 1999) foi um psiquiatra que realizava procedimentos de conversão da homossexualidade — a “Cura Gay”. 

Não demorou muito para que fãs e ativistas usassem a hashtag "#RIPJKRowling". E a atitude foi além da hashtag: a autora já está sendo boicotada em seu novo lançamento, O Ickabog, cuja divulgação mundial aconteceu nesta terça-feira (10). O livro traz uma fábula sobre uma terra imaginária, onde um monstro mítico testará a bravura de duas crianças. A versão em português traz 34 ilustrações feitas por crianças brasileiras, mas isso não foi suficiente para fazer com que os admiradores daqui se esquecessem das polêmicas passadas.

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